quarta-feira, 26 de outubro de 2011

UM PASSEIO PELA SAÚDE PÚBLICA DO DISTRITO FEDERAL


Vivemos uma situação crítica de forma geral no que se refere a saúde pública em nosso país, porém no Distrito Federal a situação se torna a cada ano mais crítica, os governos passam, as verbas orçamentárias aumentam e a situação se torna cada vez mais desesperadora do lado analisado pela população, condições desumanas de trabalho, jornadas exaustivas aliadas a remunerações baixas dos médicos, esses são fatores básicos que podemos com calma analisar e credenciar como  preponderantes da situação.

Aproveitando um problema de saúde aproveitei para observar e registrar a situação da saúde pública no Distrito Federal, cheguei ao Hospital de Base por volta das 18:45 e me informaram que o mesmo só atendia Poli traumatizados, e que no caso de clínica geral deveria me dirigir ao HRAN (Hospital Regional da Asa Norte), cerca de 5 minutos de um local ao outro, fiz a ficha por volta das 19 horas, entrei para a triagem por volta das 01 da manhã, sendo encaminhado ao médico de plantão da clínica geral que posteriormente me encaminhou para a medicação, para exames de sangue, raio x e retorno ao Clínico Geral.

Na parte da medicação tive contato com o enfermeiro chefe do plantão que não citarei o nome, passaremos a chamá-lo de Paulo, e em conversa informal o mesmo informou que uma das causas principais do caos no setor de saúde se dá ao fato do Governo do Distrito Federal ter cortado a hora extra dos médicos, no horário em que eu me encontrava no local, por volta das 02 da manhã eram para ter 4 médicos de plantão, porém apenas 1 atendendo, Paulo também me contou que na noite anterior por volta das 20 horas existiam quase 200 pessoas para serem atendidas e 4 médicos que fizeram um sorteio para que 1 só ficasse no atendimento e os outros fossem embora, e o que ficou no atendimento informou às pessoas que se encontravam aguardando que só atenderia caso de risco de morte.

Paulo também informou que 3 médicos que atendem no plantão pediram demissão a pouco tempo e montaram no entorno do DF uma clínica que atende ao custo de R$ 30,00 a consulta, fazendo uma média de 12 atendimentos diários o que resulta num ganho bem maior no fim do mês do que o estipulado de R$ 2.900,00 por 20 horas de trabalho mais descontos na rede pública do DF e que estes mesmos médicos que pediram demissão ainda não foram substituídos, Paulo também me contou que o colírio dos olhos do Secretário de Saúde do DF é  o Pronto Socorro lotado, pois é dele que são solicitadas mais verbas extras orçamentárias e que não vale a pena resolver o problema pois não poderiam solicitar verbas extras, porém para onde esse dinheiro vai ninguém sabe, pois os salários dos médicos são baixas, as jornadas exaustivas e as condições precárias com tapumes espalhados por todo hospital em reformas que não precisamos ser nenhum expert para descobrirmos que são para a copa do mundo e que são muito mal planejadas, elaboradas e superfaturadas conforme palavras do Sr. Paulo.

Há que ser feito um levantamento minucioso de onde são injetados os recursos destinados a saúde pública no Distrito Federal, os recursos extras, que tipo de obras são efetuadas nos hospitais públicos do Distrito Federal e a que custo estão sendo feitas essas obras, e resolver a questão salarial dos médicos que segundo informações não querem aumento, querem receber por suas horas extras trabalhadas, pois vivemos uma falência iminente que o governo esta tentando ressuscitar temporariamente por ocasião da Copa do Mundo e que não devemos aceitar calados a esta situação.

Por: Flávio Moraes

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