UM PASSEIO PELA SAÚDE PÚBLICA DO DISTRITO FEDERAL
Vivemos uma situação crítica de
forma geral no que se refere a saúde pública em nosso país, porém no Distrito
Federal a situação se torna a cada ano mais crítica, os governos passam, as
verbas orçamentárias aumentam e a situação se torna cada vez mais desesperadora
do lado analisado pela população, condições desumanas de trabalho, jornadas
exaustivas aliadas a remunerações baixas dos médicos, esses são fatores básicos que podemos
com calma analisar e credenciar como preponderantes da situação.
Aproveitando um problema de saúde
aproveitei para observar e registrar a situação da saúde pública no Distrito
Federal, cheguei ao Hospital de Base por volta das 18:45 e me informaram que o
mesmo só atendia Poli traumatizados, e que no caso de clínica geral deveria me dirigir
ao HRAN (Hospital Regional da Asa Norte), cerca de 5 minutos de um local ao
outro, fiz a ficha por volta das 19 horas, entrei para a triagem por volta das
01 da manhã, sendo encaminhado ao médico de plantão da clínica geral que
posteriormente me encaminhou para a medicação, para exames de sangue, raio x e
retorno ao Clínico Geral.
Na parte da medicação tive
contato com o enfermeiro chefe do plantão que não citarei o nome, passaremos a
chamá-lo de Paulo, e em conversa informal o mesmo informou que uma das causas
principais do caos no setor de saúde se dá ao fato do Governo do Distrito
Federal ter cortado a hora extra dos médicos, no horário em que eu me
encontrava no local, por volta das 02 da manhã eram para ter 4 médicos de
plantão, porém apenas 1 atendendo, Paulo também me contou que na noite anterior
por volta das 20 horas existiam quase 200 pessoas para serem atendidas e 4
médicos que fizeram um sorteio para que 1 só ficasse no atendimento e os outros
fossem embora, e o que ficou no atendimento informou às pessoas que se
encontravam aguardando que só atenderia caso de risco de morte.
Paulo também informou que 3
médicos que atendem no plantão pediram demissão a pouco tempo e montaram no
entorno do DF uma clínica que atende ao custo de R$ 30,00 a consulta, fazendo
uma média de 12 atendimentos diários o que resulta num ganho bem maior no fim
do mês do que o estipulado de R$ 2.900,00 por 20 horas de trabalho mais
descontos na rede pública do DF e que estes mesmos médicos que pediram demissão
ainda não foram substituídos, Paulo também me contou que o colírio dos olhos do
Secretário de Saúde do DF é o Pronto
Socorro lotado, pois é dele que são solicitadas mais verbas extras
orçamentárias e que não vale a pena resolver o problema pois não poderiam
solicitar verbas extras, porém para onde esse dinheiro vai ninguém sabe, pois
os salários dos médicos são baixas, as jornadas exaustivas e as condições
precárias com tapumes espalhados por todo hospital em reformas que não
precisamos ser nenhum expert para descobrirmos que são para a copa do mundo e
que são muito mal planejadas, elaboradas e superfaturadas conforme palavras do
Sr. Paulo.
Há que ser feito um levantamento
minucioso de onde são injetados os recursos destinados a saúde pública no
Distrito Federal, os recursos extras, que tipo de obras são efetuadas nos
hospitais públicos do Distrito Federal e a que custo estão sendo feitas essas
obras, e resolver a questão salarial dos médicos que segundo informações não
querem aumento, querem receber por suas horas extras trabalhadas, pois vivemos
uma falência iminente que o governo esta tentando ressuscitar temporariamente
por ocasião da Copa do Mundo e que não devemos aceitar calados a esta situação.
Por: Flávio Moraes



