sábado, 8 de outubro de 2011



BRASIL: A LEGITIMAÇÃO DO DIREITO AO EXTERMÍNIO






São Paulo, zona norte, Casa de Detenção do Carandirú, 02 de outubro de 1992, sexta-feira sombria, rebelião iniciada pela briga de dois presos do Pavilhão 9 no segundo andar, posteriormente com a invasão da Polícia Militar à penitenciária que não conseguiu acabar com a rebelião, parte dos presos fugiu para o primeiro andar e a outra parte para os andares superiores, a ROTA (grupo de choque da PM Paulista, Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar) invade e ocupa o primeiro andar, onde todos os ocupantes foram assassinados o e segundo andar do pavilhão, onde 60% foram mortos, uma Polícia que a bem da verdade não é preparada para este tipo de ação, deixando um saldo macabro de 111 mortos, com apenas nove mortes por armas brancas (que pode-se ligar a conflitos internos entre os detentos), e uma média de 5 tiros para cada morto, um verdadeiro massacre sem nenhuma chance de defesa.





Na semana passada foram completados 19 anos desta barbárie, e o que aconteceu após isso?



 A resposta é clara, absolutamente nada, um único condenado que nunca chegou a passar 1 dia sequer na cadeia, o coronel responsável pela ação Ubiratan Guimarães (morto em 2006), condenado a 632 anos, e com a pena sendo anulada pelo Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, e o então secretário de Segurança Pública, Pedro Franco de Campos?, e o então governador Luiz Antônio Fleury Filho?, não tiveram responsabilidade nenhuma sobre o caso para nunca serem citados, e os integrantes da ROTA que participaram da ação?



Será que estamos presenciando através da omissão total do estado a verdadeira legitimação do extermínio dos chamados excluídos? Será que sempre teremos que ser omissos e nos calar perante a essas ações? Criminosos tem sim que estarem presos, cumprindo medidas que busquem a sua reabilitação, porém não devem ser tratados como escória social, vamos refletir sobre isso e divulgar esse tipo de informação para que nunca caia no esquecimento essa atitude vergonhosa do estado brasileiro.


Por: Flávio Moraes

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