BRASIL: A LEGITIMAÇÃO DO DIREITO AO EXTERMÍNIO
São Paulo, zona norte, Casa
de Detenção do Carandirú, 02 de outubro de 1992, sexta-feira sombria, rebelião
iniciada pela briga de dois presos do Pavilhão 9 no segundo andar,
posteriormente com a invasão da Polícia Militar à penitenciária que não
conseguiu acabar com a rebelião, parte dos presos fugiu para o primeiro andar e
a outra parte para os andares superiores, a ROTA (grupo de choque da PM
Paulista, Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar) invade e ocupa o primeiro andar,
onde todos os ocupantes foram assassinados o e segundo andar do pavilhão, onde
60% foram mortos, uma Polícia que a bem da verdade não é preparada para este
tipo de ação, deixando um saldo macabro de 111 mortos, com apenas nove mortes
por armas brancas (que pode-se ligar a conflitos internos entre os detentos), e
uma média de 5 tiros para cada morto, um verdadeiro massacre sem nenhuma chance
de defesa.
Na semana passada foram
completados 19 anos desta barbárie, e o que aconteceu após isso?
A resposta é clara,
absolutamente nada, um único condenado que nunca chegou a passar 1 dia sequer
na cadeia, o coronel responsável pela ação Ubiratan Guimarães (morto em 2006),
condenado a 632 anos, e com a pena sendo anulada pelo Tribunal de Justiça do
Estado de São Paulo, e o então secretário de Segurança Pública, Pedro Franco de
Campos?, e o então governador Luiz Antônio Fleury Filho?, não tiveram
responsabilidade nenhuma sobre o caso para nunca serem citados, e os integrantes
da ROTA que participaram da ação?
Será que estamos presenciando através da omissão
total do estado a verdadeira legitimação do extermínio dos chamados excluídos?
Será que sempre teremos que ser omissos e nos calar perante a essas ações?
Criminosos tem sim que estarem presos, cumprindo medidas que busquem a sua
reabilitação, porém não devem ser tratados como escória social, vamos refletir
sobre isso e divulgar esse tipo de informação para que nunca caia no
esquecimento essa atitude vergonhosa do estado brasileiro.
Por: Flávio Moraes
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